Tratamento da Esclerose Múltipla

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Tratamento da Esclerose Múltipla 

Elizabeth Regina Comini Frota.

 

Desde o final da década de oitenta, com o avanço da Ressonância Magnética e no início dos anos noventa ao se iniciarem os tratamentos com interferons e acetato de glatiramer, as pesquisas em Esclerose Multipla estão muito incrementadas. Cada vez mais pacientes são diagnosticados e cada vez mais cedo. Os medicamentos que estão em uso conseguem controlar a primeira fase da doença, a inflamação, parcialmente. Hoje além de se buscar os genes que podem determinar a doença, os fatores ambientais que influenciam estes genes, busca-se também novos medicamentos com mecanismos de ação mais abrangentes do que o controle da inflamação, e também possibilidades de regeneração das células produtoras de mielina e dos próprios neurônios lesados.

Além das medicações que vem sendo usadas desde 1993, os imunomoduladores, hoje a Esclerose Múlitpla tem um arsenal de tratamento composto por drogas orais como o Fingolimode, o BG-12, a Teriflunomida, os anticorpos monoclonais como o Natalizumabe, o Rituximabe o Alentuzumabe.  Todos eles para serem usados em esclerose múltipla recorrente remetente (EMRR), e com ação definida na fase inflamatória da doença.

O Fingolimode, o BG-12, o Teriflunomide, e o Natalizumabe foram testados em estudos duplo-cegos, controlados, randomizados, fase III e demonstraram eficiência no controle da inflamação, na clínica e nas imagens por ressonância magnética.

Drogas  usadas em outras doenças auto-imunes começaram a ser usadas na EM, como por exemplo o Rituximab, anticorpo monoclonal  usado em Artrite Reumatóide, também demonstrou resultados favoráveis na EM. O Alemtuzumabe anticorpo monoclonal anti-CD52, usado em Leucemia Mieloide Crônica, foi aprovado no Brasil para uso em esclerose múltipla remitente recorrente. O natalizumabe está em uso no Brasil  para pacientes que não respondem aos imunomoduladores injetáveis. Cada uma destas medicações tem efeitos colaterais conhecidos, e passíveis de controle, e devem ser usados sempre em função das medidas de risco benefício.

Está em fase de lançamento o ocrelizumabe, anticorpo monoclonal anti-CD19 que atua limitando a ação de linfócitos B.

O importante para o paciente é que o tratamento seja feito desde o início com a droga que melhor se adapta ao seu perfil de evolução da doença. O neurologista assistente precisa estar atento ao aparecimento de falha terapêutica, ou seja sinais e sintomas que demonstram que aquele medicamento não está mais controlando a inflamação, para progredir no tratamento para drogas mais eficazes e pesar o risco e o benefício de cada uma naquele paciente individualmente.

Declaração: As drogas citadas neste artigo estão com seus nomes farmacêuticos. A autora não tem vínculo e não recebe compensação pessoal dos laboratórios que as produzem.

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